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Queiroz é boa aposta

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Estou surpreendido. Agradavelmente surpreendido, diga-se. Gilberto Madaíl conseguiu “roubar” Carloz Queiroz ao Manchester United e, dessa forma, encontrar uma excelente opção para suceder a Scolari no comando da Selecção Nacional. Entre os técnicos portugueses - e sem desprimor para ninguém - só Mourinho seria outra solução capaz de agradar tanto aos jogadores e aos adeptos, tendo em conta a experiência, os conhecimentos, os resultados obtidos e a personalidade.

Aquando do começo do processo de substituição de Scolari jamais considerei possível que Queiroz regressasse à Federação. Para além das questões financeiras e de ter de abdicar de um posto confortável em Inglaterra, duvidava do seu interesse em regressar a uma casa onde, em minha opinião, não foi devidamente considerado. Queiroz foi o rosto principal de uma revolução que trouxe o futebol português (e o futebolista luso) para a ribalta. Contribuiu de forma decisiva para a formação de vários dos grandes nomes da história futebolística nacional, abriu portas, apontou caminhos, mexeu com as mentalidades tacanhas da época e até resultados ímpares conseguiu, a nível europeu e mundial. É verdade que na equipa principal não foi feliz, mas convém ter em conta que, nessa altura, a “geração de ouro” ainda era muito jovem. E tão ou mais importante: a Federação contava os tostões e cuidava com pouco rigor da Selecção Nacional, para além de muita gente não apreciar a forma organizada como Queiroz fazia questão de trabalhar. O homem era uma ameaça séria aos defensores do “deixa andar”.

Quando deixou a FPF, Queiroz foi duro. Fez questão de colocar o dedo na ferida, sendo célebre a sua alusão ao facto de existir muita porcaria no organismo. Tinha razão, por mais que isso custasse a admitir a alguns dirigentes. Hoje, como temos constatado nos últimos dias, ainda por lá existe alguma. Mas, felizmente, em áreas que não podem (pelo menos directamente) afectar o seu trabalho. Com os recursos que terá à sua disposição - e tendo carta branca para trabalhar em todas as selecções, facto que pode parecer irrelevante mas que deverá ser essencial para o futuro - creio que devemos estar optimistas. Sem as garantias que considera necessárias, Queiroz não aceitava voltar. E, estou seguro, regressa para reorganizar o que entretanto se estragou e para tentar alcançar com os seniores o sucesso que já teve nos juniores e juvenis.

Com Queiroz ao leme, tenho a certeza que os escalões jovens serão valorizados, que voltaremos a ser uma referência internacional na formação (marcando presença nas grandes competições e apagando da nossa memória alguns resultados impensáveis dos anos mais recentes), que vão acabar os súbitos ataques de má disposição quando os jornalistas fizerem perguntas incómodas, que as convocatórias serão justas e lógicas, que deixarão de existir “vacas sagradas” e que o trabalho (no campo e não só) será mais importante que os papelinhos e as rezas.

Com Queiroz, a probabilidade de existirem choques com os restantes técnicos da estrutura federativa é escassa. A questão, é saber se não vão surgir mudanças já nos próximos dias…

PS - Cristiando Ronaldo, que exprimiu publicamente o desejo de ver Queiroz na Selecção, podia perguntar ao técnico como é que se consegue que os responsáveis do Manchester United aceitem libertar um bom profissional sem criar grandes ondas. Aposto que não foi através de declarações infelizes!

PS 1 - Madaíl pode (e deve) ser criticado por muitas coisas. Mas, no que diz respeito à Selecção Nacional, o homem continua a conseguir “alguns milagres”. É justo reconhece-lo.

Artigo de Luís Avelãs

in: Record

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